quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Aprecie as etapas


               Você se apaixona, mas não quer continuar com a paixão. Acha que vai se machucar. Então, encontra coragem e segurança lá no fundo de seu ser e consegue: se entrega. Dá um passo à frente e realmente vive uma paixão enlouquecedora e intensa, tão maravilhosa que você quer ficar ali, naquela cama quente, entrelaçada ao seu amor por toda a eternidade. Até que a vida aparece, lhe joga um balde de água fria e a arranca desse lindo sonho de nuvens cor-de-rosa, trazendo-a de volta à realidade.
                Logo, você sente como se seu coração estivesse despedaçado, para dizer o mínimo. O “luto” pela paixão mal resolvida vem nas etapas tão conhecidas e mal apreciadas. Primeiro, vêm as lágrimas, os gritos, as músicas melosas e a revolta pelo término forçado. Você quer apenas ficar em casa, embaixo das cobertas, assistindo a filmes românticos e, de preferência, trágicos, para poder compartilhar a dor, mesmo que com um personagem inteiramente fictício.
                A parte mais conhecida é o contrário da inicial, descrita anteriormente. Agora, você quer sair, mostrar para o mundo – e para o ex – que é mais. Mais o quê? Mais tudo! Mais inteligente, mais simpática, mais bonita, mais esperta e, acima de tudo, que está muito melhor sem ele. Em vão, é lógico. Você até pode ser mais muitas coisas, mas já terminou, então de que adianta tudo isso? Eu respondo: não adianta. Mas você faz assim mesmo. Vai a festas de terça a domingo, guardando apenas a segunda-feira para o dia da ressaca. Até o chefe percebe que alguma coisa está acontecendo de diferente. Não importa o tipo ou local da festa, você apenas quer estar lá e tirar muitas fotos para publicar nas redes sociais (abertamente, claro) e provar que você está bem. Mas você não está.


                Quando percebe que essa vida de bebidas, festas, danças e “pegação” não está fazendo o sentimento melhorar, começa a refletir sobre a vida. Lê livros voltados à superação e à auto-ajuda, pede conselhos aos amigos e muda de perspectiva. Dessa vez, não é apenas aparência, mas você tenta mesmo mudar seus pensamentos e atitudes. Investe em si, compra roupas novas, acessórios, volta sua atenção ao trabalho e aos estudos e não pensa muito em romance. Procura conhecer pessoas novas, adquirir novas experiências e aproveitar a vida tranquilamente.
                E você me pergunta se vai pensar muito nele? Vai. Bastante. Mais do que pensa agora. No começo, logo quando tudo acontece, até respirar vai fazê-la lembrar-se dele. A boa notícia é que, com o tempo, a vontade de vê-lo diminui, o desejo pelo seu cheiro acaba, você pesquisa o perfil dele nas redes sociais com menos freqüência. A saudade já não é um sentimento constante, apesar de continuar presente. Ela apenas vem de vez em quando e em momentos previsíveis.  
                Mas depois de todas essas etapas, dos choros incontroláveis, da raiva dele e de si, acontece algo que você não imagina. Você o encontra. Depois de tantos meses sofrendo, passando por todos os estágios imagináveis e possíveis do pós-término de relacionamento, você o encontra numa festa. E ele está acompanhado. O que realmente a surpreende não é encontrá-lo ou vê-lo bem, mas você estar bem. De repente, ele já não é mais o seu amor, aquele de quem você sente muita falta. Agora, ele é apenas o ex. E você não tenta mostrar que é melhor. Você é melhor. 

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