Você se apaixona, mas não quer
continuar com a paixão. Acha que vai se machucar. Então, encontra coragem e
segurança lá no fundo de seu ser e consegue: se entrega. Dá um passo à frente e
realmente vive uma paixão enlouquecedora e intensa, tão maravilhosa que você
quer ficar ali, naquela cama quente, entrelaçada ao seu amor por toda a
eternidade. Até que a vida aparece, lhe joga um balde de água fria e a arranca
desse lindo sonho de nuvens cor-de-rosa, trazendo-a de volta à realidade.
Logo,
você sente como se seu coração estivesse despedaçado, para dizer o mínimo. O
“luto” pela paixão mal resolvida vem nas etapas tão conhecidas e mal
apreciadas. Primeiro, vêm as lágrimas, os gritos, as músicas melosas e a
revolta pelo término forçado. Você quer apenas ficar em casa, embaixo das
cobertas, assistindo a filmes românticos e, de preferência, trágicos, para
poder compartilhar a dor, mesmo que com um personagem inteiramente fictício.
A
parte mais conhecida é o contrário da inicial, descrita anteriormente. Agora,
você quer sair, mostrar para o mundo – e para o ex – que é mais. Mais o quê?
Mais tudo! Mais inteligente, mais simpática, mais bonita, mais esperta e, acima
de tudo, que está muito melhor sem ele. Em vão, é lógico. Você até pode ser
mais muitas coisas, mas já terminou, então de que adianta tudo isso? Eu
respondo: não adianta. Mas você faz assim mesmo. Vai a festas de terça a
domingo, guardando apenas a segunda-feira para o dia da ressaca. Até o chefe
percebe que alguma coisa está acontecendo de diferente. Não importa o tipo ou
local da festa, você apenas quer estar lá e tirar muitas fotos para publicar
nas redes sociais (abertamente, claro) e provar que você está bem. Mas você não
está.
Quando percebe que essa vida de
bebidas, festas, danças e “pegação” não está fazendo o sentimento melhorar,
começa a refletir sobre a vida. Lê livros voltados à superação e à auto-ajuda,
pede conselhos aos amigos e muda de perspectiva. Dessa vez, não é apenas
aparência, mas você tenta mesmo mudar seus pensamentos e atitudes. Investe em
si, compra roupas novas, acessórios, volta sua atenção ao trabalho e aos
estudos e não pensa muito em romance. Procura conhecer pessoas novas, adquirir
novas experiências e aproveitar a vida tranquilamente.
E
você me pergunta se vai pensar muito nele? Vai. Bastante. Mais do que pensa
agora. No começo, logo quando tudo acontece, até respirar vai fazê-la
lembrar-se dele. A boa notícia é que, com o tempo, a vontade de vê-lo diminui,
o desejo pelo seu cheiro acaba, você pesquisa o perfil dele nas redes sociais
com menos freqüência. A saudade já não é um sentimento constante, apesar de
continuar presente. Ela apenas vem de vez em quando e em momentos previsíveis.
Mas
depois de todas essas etapas, dos choros incontroláveis, da raiva dele e de si,
acontece algo que você não imagina. Você o encontra. Depois de tantos meses
sofrendo, passando por todos os estágios imagináveis e possíveis do pós-término
de relacionamento, você o encontra numa festa. E ele está acompanhado. O que
realmente a surpreende não é encontrá-lo ou vê-lo bem, mas você estar bem. De
repente, ele já não é mais o seu amor, aquele de quem você sente muita falta.
Agora, ele é apenas o ex. E você não tenta mostrar que é melhor. Você é melhor.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário