quarta-feira, 8 de agosto de 2012

E a intimidade.

'Droga, cadê o isqueiro?' Odeio quando faço isso. Sempre perco meu isqueiro em meio aos seus lençóis. também pudera! Parece que ele faz de propósito. Eu atendo o telefone e é ele, com aquela voz calma e tom sedutor, me convidando para tomar um vinho. Quando chego e vou acender um cigarro, lá vem ele, mal me deixando respirar, sequer me deixando pensar! Já beija minha boca, me aperta e me chama de gostosa. Assim, meu isqueiro sempre acaba perdido nos lençóis macios daquela cama fofa, enquanto ele dorme um sono tranquilo de quem já aliviou as tensões.
E eu fico vagando em pensamentos, olhando o céu noturno na vista privilegiada do apartamento dele, enquanto ouço seu ronco. Nossa, e como ele ronca! Não somos namorados, mas nos damos bem em qualquer momento. Acho legal que temos essa liberdade, essa tal intimidade que tantos receiam. Podemos ficar juntos ou separados sem constrangimentos, joguinhos entediantes de sedução ou palavras inapropriadas. Temos o lado bom, os momentos gostosos, as risadas e as malícias, mas sem o peso do compromisso, das cobranças e do embaraço. Ponto positivo! Pensando nisso, acendo meu cigarro. Aquele que tentei acender quando cheguei. Nua e sem vergonha, sento-me na cadeira ao lado da cama, admirando uma lua cheia perfeita e apreciando cada tragada. Até ele acordar.




Levanta, dá uma mordida em minha coxa e me rouba o cigarro. Apesar de sermos apenas amigos, somos grandes amigos. Amigos íntimos o bastante até para fumar nus. E assim, sentado na cadeira à minha frente, ele fica me olhando, tentando me deixar envergonhada. Abrindo aquele sorriso maravilhoso, ele diz que eu engordei uns quilinhos, mas que  gostou mais assim.
Ah, e ainda acaricia meus seios entre cada tragada. E dá gargalhada, contando as histórias do trabalho e das festas que ele vai. Acendo outro cigarro, já que o primeiro eu perdi, e continuo vendo suas encenações e achando ridículo um homem completamente nu tentando imitar o chefe dando uma bronca bizarra num estagiário. Mas as risadas são maravilhosas!
O cigarro acaba, eu volto para a cama e deito de bruços. Ele adora isso, e adora me assustar, deitando em cima de mim. Um apertão no quadril. Uma mordida na nuca. 'Gostosa' sussurrado ao pé do ouvido. Ele não dormirá mais essa noite. Eu também não. Talvez, nem o vizinho.

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