Hoje acordei
meio estranha. Acordei com uma vontade um tanto inédita e diferente. Não é bem
uma vontade, é como um desejo. Algo involuntário e necessário. Um apetite não
tão incontrolável, mas impossível de passar despercebido. Como se num sonho e
só existisse esse sentimento, esse interesse, essa impulsividade. Hoje acordei
com desejo de amar.
Não quero amar
um amor duradouro ou perfeito como de novela. Eu quero amar um amor intenso e
sem preconceitos. Um sentimento sincero e verdadeiro, mesmo não sendo eterno.
Que não venha acompanhado de crises de ciúmes, discussões enraivecidas, mágoas
ou sequer de uma relação. Até porque meu desejo não é ter um relacionamento.
Desejo amar.
Aquele amor
gostoso e tranquilo, que não cobra, que não sufoca. O sentimento que não quer
ser, que é. Quando as palavras não precisam ser medidas, onde o medo não existe
e o arrepio se apresenta constantemente. Não existe frio nem calor, apenas o
silêncio na temperatura ideal entre dois corpos, um desejo e um sentimento.
Um novo mundo
que não tem necessidade de ser criado, mesmo porque já existe em nossas mentes.
Onde os cheiros são fortes, as mãos são firmes, os suspiros são altos, os olhos
são profundos e os gritos são sufocados. Esse sentimento em que podemos nos
apoiar e que é puro em essência, que não se mistura e não se separa, que não se
vai, mas que também não fica.
Desejo de
sentir, de poder, de ter, ser e possuir. Incontrolável vontade de entrar num
mundo imaginável e bombardeá-lo de beijos, abraços e carinhos. O mundo do amor
é incansável, mas continuamente inacessível. Acordei com esse desejo hoje.
Amanhã acordarei com outro.

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