quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Promessas e covardias


 O nervosismo consome meu corpo e já fica difícil respirar calmamente. Meu coração parece uma bateria de escola de samba e minhas mãos suam de maneira descontrolada. Os olhos brilham, as pernas tremem e os lábios se abrem num largo sorriso. A mente se esvazia de tal maneira que mal consigo formular frases coerentes. Inevitável. Quando ele se aproxima, fico assim. Sempre. E ele nem percebe.
                Se ele nota esses ridículos indícios de uma tórrida paixão, existente há tantos anos, ele nunca comentou. Talvez não sinta o mesmo e esteja receoso em me magoar, falando sobre esse delicado assunto. Ou ele realmente não percebeu. Será? Mas está tão estampado nas minhas expressões, como se houvesse um letreiro na minha testa, piscando em luzes NEON: “EU TE AMO!”.
A pior parte desse sentimento não é ele não perceber, mas eu não saber o que fazer para revelar o que sinto. Não consigo tirar esse peso das minhas costas. Já tentei contar olhando diretamente naqueles belos olhos castanhos, mas as palavras não saíram. Congelei, só conseguindo sorrir – o que é incrivelmente fácil de fazer quando estou com ele. Escrevi cartas que nunca entreguei e e-mails que apaguei sem enviar. Fiz promessas ao espelho, dizendo que o beijaria quando me abraçasse. Não o fiz, é claro. E quando planejo, prometo e não cumpro, fico decepcionada com a minha coragem. Ou minha falta de coragem. Sou covarde demais para falar. E ele é muito meu amigo para perceber.


                Às vezes, eu tento não pensar nele. Faço um esforço quase sobrenatural e consigo, por alguns minutos, tirá-lo dos meus pensamentos. Então, ele manda uma mensagem de texto perguntando se eu vou à aula. Eu tento não pensar nos lábios carnudos e nas mãos firmes. Realmente faço o que posso para não sonhar acordada com o cheiro amadeirado e o sorriso sincero. Uso todas as minhas energias para não querer encaixar meu corpo no dele e dormir o sono da serenidade. Mas parece que ele sente. Quando consigo pensar em outra coisa, ele aparece, me liga ou manda uma mensagem. Por que eu fui me apaixonar logo por um amigo?
Ele me convidou para sair hoje. Passou direto em todas as disciplinas e quer comemorar. E quer comemorar comigo. Já tomei três latinhas de energético e estou na terceira taça de vinho tinto seco. Daqui a alguns minutos, ele chega. E hoje eu conto tudo. Hoje, ele vai conhecer os meus sentimentos. Eu prometo que, hoje, eu confesso. Se eu tiver coragem.

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