Acordo
assustada, olho o relógio, checo o celular e volto a dormir. Essa é minha
rotina noturna. Todas as noites. E a culpa é sua! E eu não gosto disso. Depois
de levantar, uma coisa é certa: olhar o celular a cada dois minutos. Checar
e-mails e redes sociais já é de praxe. Sempre procurando seu nome, seu rosto,
suas palavras. E continuo não gostando disso.
Então, vem
o seu ‘Bom dia’. O sorriso que aparece em meu rosto é quase irreconhecível. Há
muito tempo eu não sorria desse jeito, com esse brilho no olhar, com esse suor
nas mãos, com essas borboletas no estômago. Quero demorar a responder, mas não
consigo, sou fraca demais. Quero saber como foi sua noite, como será seu dia e
em quê você está pensando. Mas ainda não gosto disso.
Mais tarde,
quando digo que você me deixa louca, você gosta. Acha engraçado. ‘É bonitinho’.
Você não sabe o quanto seu cheiro me alucina, seu toque me embriaga, sua voz me
entontece. Isso não é bonitinho. É quase insuportável. Nossas vidas são
complicadas, nós não combinamos o suficiente. Mas basta um olhar e não se sabe
qual dos dois incendeia mais. E vai do ‘Bom dia’ ao ‘Boa noite’, tudo igual e
tudo diferente. São as mesmas palavras sufocadas, os mesmos sentimentos
disfarçados, as mesmas angústias ignoradas todos os dias.
E desse
jeito você me enlouquece, com todas as letras e giros da cabeça. Não largo o
celular, a internet e seu cheiro. Não paro de pensar no seu rosto, nas suas
costas e em como você consegue me deixar vermelha com tanta facilidade. Mas não
gosto disso. Não gosto de perder o controle. Não gosto de sentir que meu mundo
está parando de girar. Não gosto de me sentir louca. Mas sua existência me
deixa louca. Louca por você.

Nenhum comentário:
Postar um comentário